Teorias da Alma

Querer alcançar o significado das coisas, da vida, das gentes, de seus relacionamentos e desencontros, é um pouco assim.

Tuesday, August 30, 2005




É simplesmente incrível como vamos nos perdendo no fio da vida, tudo acaba virando nada. Insignificante aos olhos do tempo. Aqueles que ontem eram tudo, hoje, já não fazem diferença.
E isso me incomoda. Muito. Pois me soa muito superficial, um pouco sarcárstico... Mas a gente entende né? É o ciclo... Pessoas... Vida. E agora só me resta o novo, imprevisível, ele agora é quem comanda o meu ser... E eu intensamente busco em sua verdade, a minha. Mas continuo. Sustentavelmente firme, querendo mais, precisando sempre de mais... Tentando superar aqueles pensamentos que insistem em entrar pela porta dos fundos.
Que chegam sem pedir permissão, destruindo por alguns instantes a felicidade momentânea, trazendo-me de volta a realidade dura e cruel. E no final não quero lagrimas...
Nem agora as quero.
Deixo o sofrimento para depois, pois agora não me cabe essa palavra.
Cabe-me somente a felicidade.
A eternidade.

Tuesday, August 23, 2005

Fragmentos


Não quero mais falar da vida, nem dos meus dias... Cansa-me.
Quem sabe outro dia. Não são eles todos diferentes?!
Gosto da banalidade do dia a dia... Revigora-me a alma.
Mas que vida!! Como gosta de nos dar "pequenas grandes" rasteiras.
Que saudade da inocência perdida, mas como sou
grata
pela maturidade adquirida.
Essa grande comedia com doses de melancolia,
Euforia.
Taí para ser vivida...Intensamente.
Pois não restam dias... Resta somente uma certeza.
Aquela inevitável... No qual é fato e pronto.
Acabou.



Fragmentos de pensamentos incertos, talvez não compreendidos..

Sunday, August 14, 2005


“Ai, que um dia eu ainda morro de ansiedade”.
Tais banalidades da vida cotidiana me deixam entediada... Então com o pretexto de não ter o que fazer resolvo, comer e escrever... E estando aqui de frente para o computador com um pedaço delicioso de bolo de chocolate com creme, penso nesse meu momento.
Existem muitas angustias, pressões, arrependimentos, pensamentos... Mas nesse momento estou preocupada apenas com um bolo de chocolate, talvez por me retirar desse tédio/caos... E me proporcionar prazer momentâneo...Um tal bem estar...Que leva a ansiedade pra um pouco mais alem... Para mais tarde.

Saturday, August 13, 2005

Boa Noite



Tentei escrever... Ate tinha o que falar.
Mas fica aqui a desejar... Pois as palavras me trouxeram o sono...Sonho.
A ausência me deixou cansada... Desanimada.
Então fica a ultima palavra...
Nada.

Thursday, August 11, 2005

O amor, em sua dualidade..

O amor. "Primeiramente, ele sempre é pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e deitandose ao desabrigo, às pedras no caminho, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso, com o que é belo e bom, decidido, corajoso e energético, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos. A filosofar por toda a vida, temível, mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza e nem mortal, e no mesmo dia ora germina e vive quando enriquece, ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai, o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece. O amor nem enriquece, assim também esta no meio da sabedoria e da ignorância”.

O Banquete, Platão, p. 204e


Gostei muito desse trecho do dialogo de Platão, mostra a dualidade do amor, suas duas formas... Eros, O amor é esse transito entre a mortalidade e a imortalidade, a sabedoria e a ignorância, sempre pobre, descalço, sem lar, pois nos falta sempre alguma coisa. O amor não é belo, ele é duro, seco...Também pelo carecer. Mas então o que é o amor? Para mim, são essas grandes e banais questões que se apresentam na vida que nos mostram sua verdadeira face. Creio que somos seres insuficientes, unilaterais, finitos, pois necessitamos dessa infinitude que nos leva alem, de uma forma imanente, que nos faz transcender. O amor é essa dupla natureza em uma só. Amar alguém ou algo, não o Amor em si... Quem ama, deseja. Deseja o que não tem ou que deseja continuar tendo. E esse amor que conseguimos permanentemente nos escapa...

Wednesday, August 10, 2005

Clarice Lispector


Como se eu procurasse não aproveitar a vida imediatamente,mas só a mais profunda,o que me dá dois modos de ser:em vida, observo muito, sou 'ativa' nas observações, tenho o senso do ridículo, do bom humor,da ironia, e tomo um partido. Escrevendo, tenho observações 'passivas',tão interiores que 'se escrevem' ao mesmo tempo em que são sentidas quase sem o que se chama de processo. É por isso que no escrever eu não escolho, não posso me multiplicar em mil,me sinto fatal a despeito de mim.

"Viver é subir a escada rolante pelo lado que desce"




Espero hoje ser feliz de verdade, de corpo e alma, no sentido mais ao pé da letra que puder. Sinto me renovada, com minhas próprias asas, com minha própria vida ou vida própria...
Atravessei a ponte, comecei um novo ciclo, deixei os fantasmas todos presos na mais alta torre, onde não mais poderão me incomodar. Às vezes me pergunto, porque tanto sofrimento? Sabemos que tudo irá passar, que sempre acaba bem, mas insistimos na negatividade, refutação da vida, sempre querendo por carecer, por sermos seres finitos, incompletos, e vivemos nessa busca incessante. Sempre sonhei com o Amor de uma forma diferente, talvez imatura, deveria ser intenso o bastante para que me consumisse inteiramente, forte e resistente a tudo e a todos, que atravessaria o tempo se preciso e etc..
Hoje me conformo com o amor bom, com cumplicidade, ajuda mutua, amor leve, amizade verdadeira, sonhos, vida... E hoje eu posso dizer que amo o amor bom, o amor de algo ou de alguém.

...
"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,
Há o amor
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo. Não mata."
Clarice Lispector