Teorias da Alma

Querer alcançar o significado das coisas, da vida, das gentes, de seus relacionamentos e desencontros, é um pouco assim.

Thursday, August 11, 2005

O amor, em sua dualidade..

O amor. "Primeiramente, ele sempre é pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e deitandose ao desabrigo, às pedras no caminho, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso, com o que é belo e bom, decidido, corajoso e energético, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos. A filosofar por toda a vida, temível, mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza e nem mortal, e no mesmo dia ora germina e vive quando enriquece, ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai, o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece. O amor nem enriquece, assim também esta no meio da sabedoria e da ignorância”.

O Banquete, Platão, p. 204e


Gostei muito desse trecho do dialogo de Platão, mostra a dualidade do amor, suas duas formas... Eros, O amor é esse transito entre a mortalidade e a imortalidade, a sabedoria e a ignorância, sempre pobre, descalço, sem lar, pois nos falta sempre alguma coisa. O amor não é belo, ele é duro, seco...Também pelo carecer. Mas então o que é o amor? Para mim, são essas grandes e banais questões que se apresentam na vida que nos mostram sua verdadeira face. Creio que somos seres insuficientes, unilaterais, finitos, pois necessitamos dessa infinitude que nos leva alem, de uma forma imanente, que nos faz transcender. O amor é essa dupla natureza em uma só. Amar alguém ou algo, não o Amor em si... Quem ama, deseja. Deseja o que não tem ou que deseja continuar tendo. E esse amor que conseguimos permanentemente nos escapa...

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